Classificação indicativa: 18 anos

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Há um fluxo de ar contínuo que passa pelos pulmões. Sente a leveza no corpo e a resistência nos ossos. Seu coração está imenso e o ventre cheio de agora. Há uma alta velocidade de fluxo sanguíneo, garantindo oxigênio para o todo o percurso. A mente silenciosa e aberta aceita a força da ascensão, entende o valor das manobras e a importância de experimentar diferentes direções. E assim, gigante em si, a mulher realiza mais um voo solo a céu aberto. 

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Devir

 

Desperto meio baratinada, rememoro o sonho inteiro, a beleza do filho-pássaro, o grande voo e principalmente o mergulho no lago. Percebo que estou molhada de sangue e o lençol está pintado. A menstruação, enfim, desceu. Deitada na minha tenda vermelha, eu sangro a felicidade do novo ciclo. Não me preocupo em tampar o fluxo, aceito o verter da intensidade rubra. Alcanço a caixinha de madeira ao lado da cama, pego seda, piteira, tabaco e o haxixe. Enrolo o cigarro com a calma dos yogis, acendo e me delicio com alguns tragos. Ando até o banheiro deixando gotículas de sangue pelo trajeto. Desenho o mapa com meu próprio pigmento. Depois, tomo um banho brando e sinto a água escorrer pela cabeça. Eu celebro o encontro. Saboreio as cerejas doces que desmancham na minha boca. É a vida, é o amor. Vou até a sala, Coloco uma voz feminina na vitrola, abro o computador e digito as letras iniciais do meu primeiro romance.